

Changeling mostra que Clint Eastwood, um dos actores mais respeitados de Hollywood, merece também ser respeitado como realizador. Unforgiven (4 Oscars), Mystic River (2 Oscars), Million Dollar Baby (4 Oscars), Flags of our Fathers e Letters from Iowa Jima (1 Oscar). Tudo pérolas da 7ª arte realizadas por Clint Eastwood, entre 1992 e 2007. Até que chegamos a 2008.
Clint Eastwood está na moda. Realizou Gran Torino e Changeling, do qual se fala a seguir.
Com Ron Howard como produtor executivo (Frost/Nixon, The DaVinci Code, A Beautiful Mind, Grinch) e J. Michael Straczynski no argumento, Eastwood cria um romance de época (como gostamos de chamar em Portugal) que, se bem que com alguns anacronismos, nos faz acreditar estarmos de volta a 1928.
Desde a ausência de banda sonora, à excelente (mais uma) prestação de Angelina Jolie e John Malkovich, Changeling é uma obra de arte, porém incompleta. Uma ‘emotions rollercoaster’, capaz de despertar sentimentos de compaixão pelas personagens, até no espectador menos sensível.
A quase ausência de saturação das câmaras de filmar fornece a ideia de tristeza e ‘doom’. Por outro lado, a parte positiva do filme, relativa à esperança e determinação, perde um pouco o sentido com esta ausência de saturação. Não se tinha perdido nada em alterar a cinematografia em certos momentos para realçar estes aspectos positivos.
É uma crítica social à década de 1920, denunciando a corrupção policial e política que dominava a cidade de Los Angeles. Ao mesmo tempo é uma mensagem de esperança e determinação, de uma mãe que nunca desiste de procurar o seu filho, desmascarando simultaneamente os erros consecutivos da polícia, mais preocupada em obter opiniões positivas por parte da população do que propriamente com a sua segurança.
Como se não bastasse, a história é baseada em factos verídicos, tornando a experiência cinematográfica muito mais positiva, uma vez que ficamos a pensar como é possível acontecer tal coisa…
Os 140 minutos de filme não parecem assim tão longos, porém, nota-se a falta de elementos ‘thriller’. Claramente, Clint Eastwood apostou em realçar o efeito melodramático, esqueçendo a parte ‘heart-racing’.
Nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes e para 3 Oscars, ganhou outros tantos prémios, foi um dos filmes mais esperados de 2008. O único Oscar que deverá arrecadar será o de Melhor Actriz para Angelina Jolie.
8/10



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Como representante máxima da nação portuguesa, tanto artística como simbolicamente,Amália Rodrigues já foi biograficamente retratada no silver screen inúmeras vezes
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